Gizelly e Marcela do BBB20

Suposto beijo de Gizelly e Marcela reacende debate: ser bi virou modinha?

Na madrugada da última quarta-feira (25), quem torcia para a formação de um novo casal no BBB – Gizelly e Marcela – se animou com as amigas trocando afeto debaixo do edredom. Na internet, alguns usuários especulam sobre um suposto beijo entre as duas sisters.

Marcela teve envolvimento amoroso com o eliminado da semana, Daniel. Ela já falou, dentro da casa, que é bissexual. E também disse que ela e Gizelly são “apenas amigas”.

A advogada, por sua vez, se posicionou sobre estar apaixonada pela participante no início de fevereiro e, recentemente, tem feito investidas amorosas em Felipe Prior. A linha do tempo e a demonstração de afeto e desejo sexual de Gizelly pelos dois reacendeu o debate: ser bi virou modinha?

Bissexualidade é modinha? Questão reforça preconceito

Entre muitos estereótipos atribuídos às pessoas bissexuais, está o de que a orientação sexual esconde uma “indecisão” ou a tentativa de entrar em uma “moda”, como se o interesse por pessoas que se identificam como homens e mulheres fosse uma escolha comportamental.

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A polêmica ressurge, por exemplo, toda vez que uma famosa fala sobre ficar com homens e mulheres. Anitta, Ludmilla e Débora Nascimento, por exemplo, já se pronunciaram sobre isso – o que demonstra, segundo especialistas, que por mais que bissexuais sempre tenham existido, só agora algumas pessoas se sentem à vontade para falar da orientação sexual.

Dentro do reality show, Marcela declarou sua bissexualidade. Gizelly, no entanto, apesar de já ter falado da paixão pela amiga e, nos últimos episódios, ter comentado sobre a vontade de ficar com Felipe Prior, não fez declarações sobre o tema.

O psicólogo Breno Rosostolato explicou para Universa que a fluidez relacionada à atração sexual e a prática do afeto é algo bem comum. “Não existe um padrão ou uma lógica de como esse desejo vai se manifestar. Você pode se relacionar por muitos e muitos anos com uma pessoa do mesmo gênero e, no momento seguinte, começar um namoro com alguém do sexo oposto”.

A sexualidade, diz o especialista, não é necessariamente “preto no branco”. “Temos a tendência de colocar as pessoas em caixinhas. Ou é heterossexual ou é homossexual. A sexualidade não é, no entanto, preto no branco, mas uma aquarela de cores e de possibilidades”.

Mulheres bi e lésbicas

A sexóloga Ana Canosa, que divide o podcast Sexoterapia com a jornalista Marina Bessa em Universa, pontua que as mulheres heterossexuais são mais “excitáveis” a estímulos de orientações sexuais diversas, como assistir a filmes pornôs lésbicos. Isso não significa, no entanto, que toda mulher é bissexual.

“Não significa que ela vai querer concretizar [aquele desejo]. Ela reage ao estímulo, mas não tem interesse efetivo para se relacionar com mulheres“, analisa.

Por outro lado, a sexóloga destaca que a construção social relacionada ao sexo se dá de forma diferente entre homens e mulheres. O fato de mulheres estarem acostumadas a demonstrarem afeto e terem mais contato não-erótico com outras mulheres faz com que elas possam se sentir mais livres para experimentar a sexualidade entre elas do que os homens entre si.

“Homens heterossexuais, até por uma questão social, se sentem muito menos livres para experimentar o sexo com outros homens”.

Gostar 50%, 50%?

Vale dizer que a bissexualidade não faz com que a pessoa seja obrigada a gostar de homens e mulheres na mesma proporção – ou seja, tenha o mesmo número de parceiros dos dois sexos ou esteja o tempo inteiro “intercalando” relações. Há mulheres bissexuais que deixaram de ficar com homens, por exemplo – por situações machistas que enfrentaram dentro dos relacionamentos, entre outros fatores.

Para Universa, a terapeuta sexual e psicóloga Paula Napolitano, inclusive, defendeu que a sexualidade pode ser bem mais complexa do que se atrair por sexos diferentes. “As pessoas ainda têm muita dificuldade em entender que a sexualidade não é só ‘gostar de um ou de outro’. Também temos quem goste de um e de outro! Os humanos são muito mais complexos, e talvez uma mulher bi que esteja num relacionamento lésbico agora pode se envolver com um homem no futuro, por exemplo”.

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