Festival Nu de Casa

Nudes contra o tédio na quarentena: mineira cria concurso de fotos sensuais no Instagram

Em meio à chuva de memes que lembram as pessoas de sentir culpa por perder a forma durante o isolamento imposto pela pandemia de coronavírus, um concurso de nudes organizado no Instagram dá outro recado: tire a roupa, faça pose e divirta-se!A ideia é da percussionista mineira Sandra Leão. Segundo a moça, tudo começou com uma pergunta despretensiosa que ela fez a seus seguidores nos stories de seu perfil no último sábado (21). “E aí, gente, o que vocês acham de fazer um campeonato de nudes nessa quarentena?”. A questão veio acompanhada de um foto da autora em trajes íntimos.

Era uma piada, lembra a artista, mas as pessoas levaram a sério. “Naquele dia mesmo, recebi muitas fotos de amigos via mensagem privada e comecei a postar. Até que resolvi criar um perfil exclusivo para isso”.

Assim nascia o Festival Nude Casa, espécie de mostra competitiva de fotos de nudez que, menos de uma semana após o lançamento, já reúne centenas de participantes e plateia de quase três mil seguidores no Instagram.

Prêmio

Para participar da mostra, ninguém precisa ter atributos de beleza padrão. Basta se despir, fazer um bom clique e mandar a foto via mensagem privada para o perfil @nudecasa, entre meio-dia e 18h.

A curadoria das imagens, explica Sandra, leva em conta critérios como coerência aos temas da mostra e qualidade da fotografia. Todas as fotos são publicadas, mas só as melhores vão para o feed. Cliques sem foco, mal enquadrados, borrados ou mal iluminados vão para os stories, onde o post dura apenas 24h.

As disputas são organizadas por temas e o vencedor leva um prêmio. “Eu chamo mais de premiação do que de competição, porque todos saem ganhando, no fim das contas. Até o momento, temos treze categorias e 20 prêmios disponíveis. A primeira categoria que a gente abriu se chama “Pele Disponível”. Nela, pedimos nudes de pedaços do corpo. Quem vencer essa etapa ganha uma tatuagem de uma artista plástica de Belo Horizonte”, conta Sandra.

Quem criou coragem para enviar nudes para o projeto, mas ainda não teve as poses publicadas deve ter paciência, pois a caixa de mensagens da organizadora anda lotada. “Estou recebendo tanto material, que está difícil de postar. Ainda estou publicando fotos enviadas há dois dias, pois a quantidade de fotografias que recebo é grande”, afirma.

Autoestima

Na avaliação de Sandra Leão, o sucesso da iniciativa não pode ser atribuído exclusivamente ao distanciamento social exigido pelo surto da COVID-19, mas a medida teria colaborado bastante. “A nudez é magnética por si só. As pessoas, no entanto, tiveram que abrir mão de encontros com seus parceiros, flertes esporádicos, sexo casual. A virtualidade é quase a único meio de expressar a sensualidade nesse momento”, pondera.

A percussionista, no entanto, desencoraja aqueles que encaram Festival Nude Casa entretenimento pornográfico. “Eu acredito no nude como uma ferramenta de autoaceitação do corpo. Inclusive, muitas pessoas que nunca tinham feito um nude na vida me escreveram dizendo que (até fotografarem a própria nudez) nunca tinham tido contato com o próprio corpo de uma maneira tão íntima. Outras pessoas me procuraram para falar que, depois de se verem nuas nas fotos, começaram a gostar do próprio corpo. Eu até me arrepio ao lembrar disso, porque é muito especial ver mulheres e homens fora do padrão afirmando que passaram a ver beleza em si mesmos depois da experiência de fazer nudes”, analisa.

Veja o perfil criado por Sandra para o concurso de nudes na quarentena, o NudeCasa.

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